terça-feira, 15 de maio de 2012

Cultura, espírito crítico e caráter

Costuma-se dizer que o arcano 3 A IMPERATRIZ é o poder do amor e o arcano 4 O IMPERADOR  é o amor ao poder. Em relação ao arcano subsequente, o arcano 5, O IMPERADOR quer conquistar e dominar territórios e, o arcano 5 O HIEROFANTE, quer conquistar e dominar as consciências. Assim, O IMPERADOR está ligado a conquista e domínio territorial e, por conseguinte, à cultura e à civilização. Grandes impérios e civilizações ergueram-se na Antiguidade como, por exemplo, o império romano e, ainda mais recuada no tempo, a civilização egípcia, tida como a civilização que manteve-se por mais tempo como a civilização dominante do mundo. 

O arcano 5 O HIEROFANTE, nestas alturas do campeonato, já dá o seu ar da graça, em virtude de que O IMPERADOR não vive sem O HIEROFANTE  e nem O HIEROFANTE vive sem O IMPERADOR. Os dois são a corda e a caçamba. Na realidade, o assunto cultura e civilização é mais da alçada do HIEROFANTE que também trata dos assuntos religiosos. Diz-se que a cultura liberta. Esta é uma meia verdade. Ela pode libertar no que diz respeito ao aspecto profissional. A pessoa que tem cultura, no sentido acadêmico, tem muito mais oportunidades em profissões mais qualificadas do que a pessoa que não tem. Cultura está muito associada à civilização, a partir do século XVIII, referindo-se a um ideal de elite, o que possibilitou o surgimento da dicotomia ou hierarquização entre "cultura erudita" e  "cultura popular".

No que tange às civilizações, existem culturas mais libertárias e outras mais repressoras mas na maioria das vezes as culturas são repressoras porque estão muito associadas a padrões religiosos patriarcais. 

Vivemos hoje, na maior parte do mundo, uma civilização repressora ou libertária? O que você acha? Se você comparar a civilização ocidental cristã com a civilização da maior parte dos países islâmicos você dirá que o ocidente cristão é mais livre do que os países de cultura islâmica. No que diz respeito ao plano físico, ou a liberdade de ir e vir, concordo que sim, mas no que diz respeito ao plano psicológico não existe muita diferença. Vejamos. Ter cultura, conhecimento ou informação é muito importante no mundo em que vivemos mas o mais importante é o fato de como esta cultura se acomoda dentro de você.

Você usa a cultura que você adquiriu ou você é usado por ela? Lembremos que a cultura é apenas uma ferramenta muito útil para se viver em sociedade mas o servo não pode tornar-se o senhor da casa. O que acontece na maioria das vezes é as pessoas deixando que o seu comportamento seja ditado pela cultura, ou seja, a cultura moldando o seu caráter. É neste ponto que  políticos e religiosos deitam e rolam no sentido de controlar a humanidade. O político sempre exerce o seu poder se for legitimado pela cultura moral e religiosa. Tomemos como exemplo o Brasil. Fernando Henrique Cardoso era ateu, teve que mudar o seu discurso e dizer-se crente em Deus senão não teria sido eleito presidente. Recentemente, Dilma Roussef era a favor do aborto, também teve que mudar seu discurso posicionando-se contra o aborto, senão não teria sido eleita presidente. 

A cultura, seja ela erudita ou popular, através de seus principais porta-vozes, políticos e religiosos, é a formadora do comportamento da massa. O que faz um indivíduo escapar ou libertar-se da massa ou multidão é o espírito crítico e questionador em relação à cultura. O indivíduo que segue a cultura de massa ainda não tem um ego. Ele é vários eus ou uma multidão existe dentro de si.  Ainda não tem um centro. Ele é como se fosse um robô ou uma ovelha do rebanho do senhor, muito fácil de ser influenciado ou manobrado. O espírito crítico é o escopo da filosofia. O indivíduo que passa a olhar a cultura de uma forma crítica começa a formar dentro de si a sua própria filosofia de vida, um ego começa a cristalizar-se dentro de si, torna-se uma pessoa de convicções próprias e dificilmente poderá ser manobrado ou manipulado econômica, social e politicamente.


sábado, 12 de maio de 2012

Sexo e religião

Osho diz que os dois chakras inferiores - básico/muladhara e sacro/svadisthana - foram os mais danificados pela sociedade. De fato. O chakra básico, situado na região do períneo e base da coluna, tem a ver com as raízes do ser, a ligação com a Terra e a natureza. O chakra sacro, situado um pouco abaixo do umbigo, é o centro da inteligência do instinto; os japoneses tradicionais o chamam de hara, o centro original do ser. Estes dois chakras estão associados intimamente com a energia sexual. 

Toda cultura religiosa é contra estes chakras e contra o corpo. Quando eu falo cultura religiosa eu me refiro ao corpo doutrinário ou dogmas que são elaborados ou organizados em torno dos ensinamentos de algum mestre iluminado. Por exemplo: Quando Jesus esteve na Terra sua mensagem era um movimento vivo, suas palavras eram dirigidas especificamente ao tipo de mentalidade daquelas pessoas que o ouviam naquele lugar e naquela época. Posteriormente, quando Jesus já tinha partido deste plano terreno, o apóstolo Paulo, com toda a sua erudição e conhecimento das leis judaicas e romanas, elaborou, organizou, codificou os ensinamentos de Jesus, o Cristo, lançando as bases do Cristianismo. Ora, a partir daí, não era mais a mensagem de Jesus, e sim, de São Paulo. Não era mais uma corrente viva jorrando. Paulo as colocou em um quadrado. É este todo o trabalho do arcano 4 O IMPERADOR no sentido convencional, ou seja, organizar, dar um formato, colocar em um quadrado, concretizar, dar estabilidade e segurança. Isto é ótimo no que diz respeito às coisas materiais, aos negócios, às finanças, ao planejamento doméstico, etc., mas no que diz respeito às coisas espirituais é um desastre. A vida é um processo dinâmico, sempre recriando-se a si mesma, é um mistério a ser vivenciado a cada segundo e não um negócio a ser administrado ou um problema a ser resolvido com o intelecto. 

Jesus, o Cristo, nunca foi cristão e nem fundou nenhuma igreja cristã ou cristianismo. Sua mensagem era de libertação, altamente revolucionária e perigosa para o establishment da época, assim como foram as mensagens de todos os mestres iluminados ao longo da História, como Buda, Lao-Tzé, Maomé, etc. 

Jesus celebrava a vida, dizia que o reino dos céus está dentro de cada um, transformava a água em vinho, estava entre o povo vivendo intimamente o drama humano, participava tanto das agruras da vida quanto alegrava-se nos banquetes e casamentos, era amigo de uma prostituta e sugeriu, àqueles que acusavam a mulher de adultério, de atirarem a primeira pedra, caso não tivessem nenhum pecado.


E São Paulo? Paulo era um puritano,  machista e repressor, sempre recomendava as mulheres a serem submissas aos maridos e, ao que parece, tinha sérios problemas com sua sexualidade. E daí para a frente todos sabem da história da Igreja ao longo dos séculos, seus conchavos internos, interesses, suas riquezas amealhadas aos povos conquistados e convertidos ao cristianismo e o jogo político dentro de sua hierarquia. O papa, na realidade, é um líder político, muito mais do que religioso, se não fosse não teria chegado ao cargo de papa. O "nobre" impulso da Igreja em  salvar almas nada mais era do que política de conquista,  converter outros povos, se necessário, pela força da espada. Surgiu o Protestantismo que apenas trocou seis por meia dúzia, combateu alguns dogmas do Catolicismo mas criou outros. Os Estados Unidos foram colonizados por protestantes. Vejam um excerto da apresentação do livro "Enterrem Meu Coração na Curva do Rio", de Dee Brown, sobre a dramática história dos índios norte-americanos: "o livro de Dee Brown chegou às listas de best-sellers e passou mais de um ano sacudindo consciências e revelando uma face triste da formação dos Estados Unidos, reabilitando os pobres subumanos mostrados pelo cinema e pela televisão de grande consumo. Revela outro aspecto importante dessas décadas impiedosas: o papel do homem branco como agente poluidor da natureza exuberante da região habitada pelos índios. Os brancos introduziram a fumaça dos trens, o uísque, as doenças infecciosas e acabaram com as florestas e a vida selvagem".


O sexo é puro e selvagem, todos nascemos dele e desfrutamos o prazer de viver através dele. A energia sexual é criatividade em todo o universo. As religiões o reprimiram e, ao reprimirem-no, fizeram dele algo inferior e impuro, corromperam o que há de mais forte e belo na natureza. Se isto não tivesse acontecido não haveria tanta prostituição, tanta pedofilia, tantas doenças sexualmente transmissíveis, tantas drogas, tantos estupros, enfim, tantas perversões que fazem do sexo algo muito mais sofrido e doloroso do que algo saudável, curativo e prazeroso, a sua verdadeira natureza.


Continua no próximo artigo.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sexo, morte e civilização - parte 2

Gosto de escrever sobre o que vivencio. Para o Tantra, saber é fazer, ou seja, só sabemos realmente, se vivenciamos algo, senão não passa de teoria. Hoje a vida deu-me a oportunidade de entrar um pouco mais em contato com a morte. Estava voltando para casa, do trabalho, quando resolvi fazer um caminho alternativo. Neste percurso existe um cemitério. Quando me dei conta disso, deu o estalo: vou visitar o cemitério. Estou escrevendo sobre a morte e sua relação com o sexo e a civilização e não deixaria passar esta oportunidade de vivenciar um pouco mais essa realidade. 

Entrei no cemitério. Deixo-me guiar pela intuição. Passeio entre os túmulos, paro onde sinto que tenho que parar. Olho as fotos dos defuntos, as inscrições com a data de nascimento e a data do falecimento. Homens, mulheres, crianças, jovens, velhos...torno-me totalmente vulnerável e receptivo às vibrações que emanam deste local e às minhas percepções interiores. Meditação é isto. Observar o que vem de fora e o que vem de dentro. Sou atraído para alguns túmulos em particular, consigo sentir alguma coisa em relação às vidas dessas pessoas enquanto estavam vivas. De maneira geral o que fica muito presente é a dor ou o sofrimento dessas pessoas de não terem vivido como gostariam realmente de ter vivido.

Olhei muitas fotos, senti muitas vibrações... vários túmulos, mas não tive nenhuma sensação de alguém que tenha realmente morrido feliz. Alguém poderá dizer: poxa, se o cara está morrendo como é que ele vai se sentir feliz? Pois eu asseguro: se alguém viveu feliz, essa pessoa também morrerá feliz. Vida e morte são dois aspectos da mesma realidade que se chama Existência. A vida em um determinado período é visível em suas múltiplas formas e em um outro período recolhe-se ao seu aspecto invisível e imaterial, mas tudo é vivo; é como o sol que nasce e se põe, e volta a nascer no outro dia, e assim sucessivamente. 

O que é viver feliz ou o que é felicidade? Para a maioria, ser feliz é ter sucesso, dinheiro, fama, estar sempre numa boa, ser alegre, alto astral, gozar de boa saúde, enfim... tudo o que é bom. Porém, estar sempre na crista da onda é impossível, não faz parte da natureza das coisas. A vida é feita de dor e prazer, de alegria e tristeza, do dia e da noite, de picos e vales. Ser feliz implica em você sentir-se bem tanto nos momentos ruins quanto nos momentos bons. A alegria lhe ajuda a perceber as coisas que estão na superfície, ao passo que a tristeza lhe ajuda a perceber as coisas que estão nas profundezas. Acontece que para você sentir-se à vontade tanto na alegria quanto na tristeza existe uma mágica, e esta mágica é você ser você mesmo.

É aqui que entram todas as religiões organizadas; quer sejam as tradicionais mais discretas ou as seitas mais escrachadas, todas elas, têm feito um grande malefício à humanidade. E o malefício é este: máscaras. Seus dogmas e mandamentos, "deves" e "não deves", são máscaras ou faces falsas  que escondem e sufocam a face original de cada um.  As religiões não deixam você ser você mesmo. Em nome de um deus que fiscaliza, que recompensa quem obedece e castiga quem desobedece, seus líderes - cegos guiando outros cegos - incutem o medo e a culpa e fazem das pessoas meros fantoches. Todos os iluminados dizem que a humanidade está dormindo. Gurdjieff dizia que é impossível acabar com as guerras enquanto a humanidade estiver dormindo; porque os que lutam estão dormindo e os que são pacifistas também estão dormindo. O sono de que se fala aqui é o sono espiritual. A respeito disso Jesus dizia: "têm olhos mas não vêem, têm ouvidos mas não ouvem". O mérito das religiões é este: tornar o seu sono espiritual o mais profundo possível porque se você acordar você se torna um grande perigo para elas. Você não vai precisar mais de nenhum sacerdote, guia ou mestre e você irá perturbar o sono das pessoas que estão à sua volta. Já imaginou se mais um, dois, três... acordarem? 

Onde é desferido o principal ataque das religiões ao ser humano? Na sua energia básica, nas suas raízes: o sexo. Mas isto é tema para o próximo artigo onde veremos também a íntima associação entre as religiões e a política. Por enquanto, obrigado!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Sexo, morte e civilização - parte 1

Quem teme o sexo teme a morte e também a vida. A civilização tornou o sexo sujo e cercou-o de regras, mandamentos e dogmas. Os políticos e os religiosos colaboraram muito para isso, e continuam colaborando. 

O presente arcano que estamos estudando e no qual também meditando (arcano 4 O IMPERADOR) é muito pertinente ao tema de hoje pois este arcano representa o processo civilizatório da humanidade. O arcano anterior 3 A IMPERATRIZ apresenta aspectos de uma sociedade mais natural associada ao matriarcado, muito ligada à Terra, à Lua e aos ciclos da natureza. O arcano 4 O IMPERADOR é o reino do homem ou patriarcado. Vivemos há milênios sob a batuta do IMPERADOR, com algumas poucas exceções, aqui e ali, de sociedades geridas pelas mulheres. 

O homem sempre temeu a mulher e o sexo. Surpreendente para você? Vejamos. A mulher sempre foi poderosa, mesmo que este poder tenha sido negado a ela durante séculos e séculos. A mulher sempre marcou pela beleza, magnetismo, sensualidade, sensibilidade psíquica, atração sexual e a capacidade de gerar filhos. Em função disto o homem sempre encarou a mulher como uma presa a ser conquistada, comida e descartada. A relação sexual normalmente é rápida, o foco da excitação sexual é no genital e, após a ejaculação o homem vira para o lado e dorme. É claro que existem exceções mas a maioria dos homens ainda comporta-se assim. 

O medo ancestral da vagina ainda continua muito presente no inconsciente masculino. Por isso a transa precisa ser rápida, para o homem colocar-se a salvo o mais depressa possível. O homem tem medo de ser engolido pela mulher. Temos um exemplo disso no mundo animal: uma espécie de aranha devora o macho após a cópula. Nos homens que sofrem de ejaculação precoce e impotência, o medo de ser devorado pela "aranha" é ainda mais intenso. Isto também explica, um pouco, a homossexualidade masculina. 

Nos tempos bárbaros o homem apelou para a força bruta para dominar as mulheres. Nas eras mais civilizadas, com o desenvolvimento do conhecimento e da filosofia, o homem inventou duas armas poderosíssimas para manter a mulher longe do poder: a política e a religião organizada. 

A política é a arte de enganar o povo e as religiões organizadas "educam" o povo para ser enganado. A política sempre foi exercida, em sua imensa maioria, por homens que sempre legislaram puxando brasa para o seu assado.  Ultimamente, as mulheres vêm conquistando cargos políticos cada vez mais elevados mas ainda são minoria e, infelizmente, muitas delas, acabam deixando de lado sua sensibilidade feminina porque também ficam seduzidas pelo poder.

As religiões organizadas que têm um deus macho, e ditador de regras e mandamentos, também sufocaram o poder feminino ao longo dos séculos. Haja visto a nossa tradição ocidental judaico-cristã, essencialmente patriarcal e machista. Aliás, tanto o judaísmo quanto as religiões que surgiram do judaísmo - cristianismo e islamismo - sempre tiveram muito medo da mulher, relegando-a a um papel subserviente e utilitário na sociedade. Se você ler o Antigo Testamento você terá inúmeros exemplos disso, começando pelo mito da criação, no livro de Gênesis, em que Eva foi tirada da costela de Adão e  associada ao mal por ter sido tentada pela serpente e induzir o homem ao erro. No Novo Testamento, São Paulo, o homem que verdadeiramente organizou o cristianismo, fundando várias igrejas e codificando regras para a prática cristã, também reduziu a mulher a um papel inferior conforme é notório em várias passagens de suas epístolas às igrejas. 

Continua no próximo post. Não percam...abraços e obrigado por prestigiarem com sua honrosa visita! Namastê!

sábado, 5 de maio de 2012

Alexandre, o grande e Diógenes, o mendigo

Alexandre, o Grande, embora sua erudição e filosofia aprendidas com Aristóteles e seu grande poder como rei e general, tinha muito o que aprender com Diógenes, o filósofo mendigo. A casa de Diógenes era um tonel, e em uma bela manhã de inverno, soprava uma brisa refrescante  quando Diógenes tomava um banho de sol, nu, à margem do rio. 

Diógenes não tinha nada, nem mesmo sua tigela de esmolas que havia abandonado ao ver um cachorro correr para o rio e beber água. Então Diógenes riu e pensou: "esse cachorro me ensinou algo. Se ele pode correr para o rio e beber sem precisar de uma tigela porque também não posso"? Imediatamente abandonou a tigela, pulou no rio e começou a beber. 

Alexandre já tinha ouvido falar sobre Diógenes e nesta bela manhã quando estava indo para a Índia encontrou este homem estranho. Alexandre ficou impressionado com a beleza e a força deste homem, que, apesar de não passar de um mendigo irradiava o poder de um imperador. A verdadeira beleza e a verdadeira força não são desse mundo, pertencem aos reinos secretos da alma, e Diógenes havia tocado esses reinos. 

Alexandre, sob o impacto da graça e beleza deste homem, que vinham de uma fonte desconhecida, disse: "Senhor... ele nunca havia dito "Senhor" para ninguém em sua vida. O seu ser me impressionou muito. Gostaria de lhe dar um presente. Há algo que eu possa fazer por você"? Diógenes disse: "Não se interponha entre eu e o sol. Chegue um pouco para o lado. Apenas isso. Não preciso de mais nada". Alexandre disse: "se eu não fosse Alexandre gostaria de ser Diógenes". Diógenes riu e falou: "quem o impede de ser a partir deste exato momento? Vejo muitos exércitos em movimento. Para onde você está indo e por que"? Alexandre disse: "estou indo para a Índia para conquistar o mundo inteiro". "E após conquistar o mundo inteiro o que você fará"?, perguntou Diógenes. "Irei descansar", responde Alexandre. Diógenes riu novamente e falou: "você só pode estar louco. Quem lhe disse que para descansar você precisa conquistar o mundo antes? Eu estou aqui descansando e não precisei conquistar o mundo para isso. E lhe digo mais. Você nunca irá descansar porque sempre existe algo mais para conquistar e o tempo passa rápido. Você irá morrer no meio da jornada". E Alexandre morreu jovem, no meio do caminho, quando voltava da Índia. Nesse dia lembrou-se de Diógenes. Ele nunca pôde descansar em sua vida, e aquele homem descansou. 

Alexandre é o exemplo do Imperador no sentido convencional. Ele conquistou o mundo inteiro mas nunca teve paz de espírito. Diógenes é o exemplo do Imperador no sentido anti-convencional ou tântrico. Ele não conquistou nada no mundo material mas conquistou o maior tesouro: a si mesmo - "o que o ladrão não rouba e a traça não corrói", nas palavras de Jesus.

E conquistar a si mesmo não é absolutamente um conquistar, pelo contrário, é um deixar-se conquistar, é uma profunda entrega e receptividade à Existência. O homem jamais poderá conquistar Deus, portanto, pare de buscar a Deus, apenas relaxe e aceite a si mesmo como você é neste exato momento. Nesta entrega e neste relaxamento você será inundado por Deus. Deus tem procurado por você durante toda a eternidade. Deixe que Ele lhe encontre, facilite as coisas para Ele. Apenas isso.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Coxas, bunda e quadris

O arcano 4 O IMPERADOR está associado às coxas, bumbum e quadris, pois o planeta Júpiter corresponde a estas partes do corpo humano. 


Descreverei esta correspondência usando uma linguagem mais coloquial, evitando ao máximo a abordagem estritamente científica. Por que a bunda e as coxas da mulher chamam tanto a atenção dos homens? E os quadris, então...Para começar, este grupo formado pelos quadris, bunda e coxas é o que evidencia mais a silhueta feminina pela sua forma circular e arredondada. 

Como Júpiter é o maior planeta do sistema solar ele tem predileção por tudo o que é grande, tanto é que  rege o crescimento (glândula hipófise) e o fígado, a maior glândula do corpo humano. Os nativos de Sagitário, signo regido por Júpiter, gostam de ambientes espaçosos e de tudo o que é mega. Qual é o maior músculo do nosso corpo? É o glúteo máximo, nádegas, conhecido popularmente por bunda e, carinhosamente, bumbum. Os glúteos ajudam a manter o tronco ereto e permitem que uma pessoa salte mais alto e corra mais rápido. Por isso é interessante que você mantenha seus glúteos fortes mas nada de exagero, o equilíbrio é saudável até nestas questões pertinentes a esta parte tão sexy do corpo.

A bunda também tem outras funções como: ajuda a sentar funcionando como uma almofada, é gostoso de pegar, tocar e massagear (quem é que não gosta?),  tem um grande potencial erótico e povoa o imaginário sexual de todas as pessoas. Não somente os homens gostam da bunda das mulheres mas as mulheres também gostam da bunda dos homens e...das mulheres e...homens da bunda dos homens, enfim...é um gostar de bunda que não acaba mais, para todos os gêneros e todos os gostos, tamanho é o apelo desta parte tão nobre do corpo humano. Nem citarei aqui as expressões corriqueiras do dia-a-dia envolvendo a bunda, que vão desde brincadeiras, piadas, desejo ardente, até  agressivas e ofensivas à moral e aos bons costumes.

Mas deixemos a bunda de lado e passemos às coxas. Na mitologia grega, Sêmele, que se encontrava grávida, não resistiu à visão de Zeus (Júpiter) em todo o seu esplendor, e caiu fulminada por raios e trovões. Zeus, com o auxílio de Hefesto, retirou-lhe o filho do ventre e o costurou à sua coxa de onde, passado o tempo de gestação, saiu Dionísio (Baco). Talvez venha daí a expressão: "feito nas coxas", ou seja, não foi feito no lugar apropriado, designando algo "meia-boca" ou um "quebra-galho". 

O maior osso do corpo humano é o fêmur, osso da coxa, localizado entre o quadril e o joelho, e  também o mais resistente, outra característica jupiteriana. 

Mas coloquemos um pouco de poesia nas coxas, transcrevendo uma parte deste belo poema de Cacau Rodrigues.

BENDITAS SEJAM AS COXAS

"Benditas sejam as coxas dessas moças!
As coxas que servem para se olhar, se admirar!
São uma parte importante do corpo,
mas existem mesmo é pra gente tocar, passar a mão...
Tocam-se as coxas desde então!
E tocam-se umas nas outras...
Que maravilhosa evolução!
Meninos com meninas, com meninos...
Meninas com meninas...
Coxas são coxas me'rmão!
As coxas são uma fantasia externa!
Coxas antigas, coxas modernas...
Coxas das putas, das senhoras, das amigas...
Todas elas! Sem falar das coxas dela"!

domingo, 29 de abril de 2012

4º arcano: a prática tântrica

Recapitulando o sentido da sagrada palavra cabalística iod-he-vau-he e a sua dinâmica dentro dos arcanos do Tarô, percebemos que o 4º arcano O IMPERADOR situa-se no  he. Iod é O MAGO, he é A SACERDOTISA, vau é A IMPERATRIZ e o 2º he é O IMPERADOR. 


O 2º he (O IMPERADOR) concentra em si as energias do MAGO, da SACERDOTISA e da IMPERATRIZ (o primeiro triângulo), colocando-as em prática no mundo físico. Ao olhar para a carta do IMPERADOR você perceberá O MAGO, A SACERDOTISA e A IMPERATRIZ. O IMPERADOR é a prática, a dinâmica, a concretização e a realização do trio anterior. 


Lembram que o misterioso 2º he corresponde à SHAKTI na teogonia hindu? Recapitulemos. Iod/Brahma; he/Vishnu; vau/Shiva; 2º he/Shakti. Então, com base nestas correspondências, o arcano 4 O IMPERADOR nada mais é do que SHAKTI. Mas como pode O IMPERADOR, macho pra caramba, ser SHAKTI? Já explico.


Para a nossa mente ocidental judaico/cristão e machista é impossível conceber a figura do IMPERADOR como algo feminino. A concepção tântrica é diferente. O Tantra diz que para o homem ser homem realmente ele precisa ter a consciência muito desenvolvida do feminino dentro de si. Já expliquei em um artigo anterior que o macho é algo natural, assim como a fêmea. Já o machista e a feminista são deturpações e aberrações. O machista não admite a sua parte feminina. Perguntado sobre a sua parte feminina, um célebre machista, certa vez, respondeu: "Minha parte feminina está aqui", apontando para a sua mulher a seu lado. 


Para o machista a mulher é um mistério. É fato corriqueiro entre os machistas ser impossível entender as mulheres. Existe um abismo entre o homem e a mulher justamente em função da cultura milenar machista e patriarcal. Certa vez vi o músico Tom Zé dando uma entrevista em um programa de televisão. Tom Zé, nesta ocasião, afirmou para a entrevistadora que ele era mulher. A entrevistadora não entendeu e perguntou a ele se ele era homossexual. Tom Zé, com sua irreverência peculiar, afirmou que não porque ser mulher é algo diferente de ser homossexual. O que Tom Zé estava querendo dizer é que ele tinha muita consciência do feminino dentro de si e, portanto, compreendia muito bem o universo feminino e as mulheres. Não conheço muita coisa a respeito de Tom Zé mas o que ele afirmou nesta entrevista foi algo profundamente tântrico.


O IMPERADOR tântrico é SHIVA por fora e SHAKTI por dentro. Existe um ditado tântrico que diz: "Sem SHAKTI, SHIVA é um shava", ou seja, um cadáver. A prática ou a vivência do homem tântrico no seu dia-a-dia é diferente da prática e vivência do homem não-tântrico. O homem tântrico é consciente da divindade feminina dentro de si e em toda a natureza. O não-tântrico caminha pelo bosque e pode até sentir-se em harmonia com a natureza mas o tântrico percebe a deusa presente em tudo: nas plantas, nas árvores, nos pássaros, no vento, no sol, na sua respiração, no contato dos pés com a energia da terra...a magia está presente, o grande milagre da vida está presente. O não-tântrico não vacila em derrubar a mata somente para ganhar dinheiro em benefício próprio. O tântrico, consciente da vida e da divindade que pulsa em tudo o que existe, somente derrubará uma árvore se isto for absolutamente necessário e  para gerar mais qualidade de vida para si e para seus semelhantes. 


No sexo também é diferente. Para o não-tântrico a mulher é apenas um objeto de satisfação dos seus desejos. Toda a sua ritualística de conquista, no fundo, tem como meta a satisfação dos seus desejos. Tudo bem. Para o tântrico também, mas não é só isto, o tântrico vai além. Além de satisfazer seus desejos, a mulher encerra em si a deusa, ela pode ser puta, mas também é deusa, ela é tudo. A experiência do tântrico no sexo é muito mais ampla. Com sua parte feminina desenvolvida ele é capaz de uma intimidade muito mais profunda com a mulher e sabe realmente o que fazer para lhe dar prazer. O tântrico permitiu-se despertar a deusa dentro de si e, como recompensa, a deusa-mãe natureza abre para ele as portas dos seus segredos. 


Se você gostou deste artigo não hesite em comentar ou recomendar no Google + e outras redes sociais. Isto faz parte da prática tântrica, ajudar a ampliar o que toca o nosso coração. 
Muito obrigado, abraços e Namastê!